Dizer que a política é o reflexo do povo soa ofensivo para muitos, mas talvez doa exatamente por ser verdade. É confortável apontar o dedo para políticos corruptos, oportunistas e hipócritas enquanto, no dia a dia, se pratica a mesma cartilha em versão doméstica. O cidadão se revolta com desvio de verba pública, mas acha normal usar um cargo, amizade ou influência para furar regras. Critica o nepotismo no governo, mas tenta empregar um parente “porque ele precisa”. Condena privilégios, desde que não mexam nos seus. Essa indignação seletiva é uma das maiores farsas do debate público. Exige-se ética irrepreensível de quem está no poder, enquanto se relativiza qualquer regra quando ela atrapalha interesses pessoais. O famoso “todo mundo faz” vira álibi moral. No fim, cria-se uma sociedade que odeia políticos, mas ama os atalhos que os produzem. Políticos não caem do céu nem brotam do inferno: eles saem do mesmo ambiente social que normaliza o jeitinho, a esperteza e a vantagem individual ...
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