Dizer que a política é o reflexo do povo soa ofensivo para muitos, mas talvez doa exatamente por ser verdade. É confortável apontar o dedo para políticos corruptos, oportunistas e hipócritas enquanto, no dia a dia, se pratica a mesma cartilha em versão doméstica. O cidadão se revolta com desvio de verba pública, mas acha normal usar um cargo, amizade ou influência para furar regras. Critica o nepotismo no governo, mas tenta empregar um parente “porque ele precisa”. Condena privilégios, desde que não mexam nos seus. Essa indignação seletiva é uma das maiores farsas do debate público. Exige-se ética irrepreensível de quem está no poder, enquanto se relativiza qualquer regra quando ela atrapalha interesses pessoais. O famoso “todo mundo faz” vira álibi moral. No fim, cria-se uma sociedade que odeia políticos, mas ama os atalhos que os produzem. Políticos não caem do céu nem brotam do inferno: eles saem do mesmo ambiente social que normaliza o jeitinho, a esperteza e a vantagem individual ...
Desde janeiro de 2025, o prefeito de Ribeirão Preto, Ricardo Silva, eleito pelo PSD, está à frente da administração municipal; mas seu comportamento em público tem chamado atenção por um padrão que mais parece continuidade de campanha eleitoral do que gestão propriamente dita. Em vez de focar em apresentar cronogramas, metas claras ou relatórios de execução de governo, o prefeito tem repetido com frequência discursos repletos de promessas genéricas, reforçando um discurso de promessa permanente em cada entrevista e evento que concede. Essa postura motivou críticas de moradores e observadores políticos, que reclamam da falta de objetividade em compromissos assumidos. Um dos exemplos recentes ocorreu na UBDS da Vila Virgínia , onde o prefeito visitou a unidade e demonstrou surpresa com o estado precário de conservação do prédio (uma realidade que já existia há anos, inclusive antes de sua gestão). No local, ele gravou um vídeo prometendo aos pacientes a construção de uma nova unidade de ...