A recorrente defesa da implantação de um rodízio de veículos em Ribeirão Preto sempre citada por ribeirãopretanos que desconhecem o tema surge, quase sempre, como resposta imediata aos congestionamentos cada vez mais frequentes. A lógica parece simples: menos carros circulando, menos trânsito. No entanto, essa solução aparente ignora a complexidade da mobilidade urbana e tende a atacar apenas os sintomas, não as causas do problema. "Por favor, não seja burro!" Experiências em outras cidades mostram que o rodízio raramente reduz o número total de veículos a médio e longo prazo. Muitos motoristas passam a adquirir um segundo carro, geralmente mais antigo e poluente, apenas para contornar a restrição. Outros ajustam horários ou rotas, concentrando ainda mais o tráfego em determinados períodos. O resultado é a manutenção dos congestionamentos, acompanhada de novos problemas, como aumento da frota, maior desigualdade social (já que a medida penaliza quem não pode comprar outro veí...
E m Ribeirão Preto, a gestão municipal parece ter confundido governo com palco e política pública com algoritmo. A cidade é administrada cada vez mais a partir das redes sociais, onde a prioridade não é resolver problemas reais, mas agradar um eleitorado fiel, barulhento e sempre pronto a reagir com curtidas e aplausos virtuais. Fora dessa bolha digital, porém, está a maior parte da população (aquela que enfrenta diariamente trânsito caótico, transporte coletivo precário e um crescimento urbano sem planejamento). Enquanto vídeos bem editados e discursos otimistas dominam os perfis oficiais, projetos estruturantes seguem engavetados. Leis essenciais para a mobilidade urbana, o ordenamento do território e o planejamento de longo prazo simplesmente não rendem o mesmo engajamento que postagens calculadas para agradar seguidores. E, assim, são ignoradas. Obras ficam pelo caminho, estudos técnicos não avançam e a cidade paga a conta da omissão. A gestão parece governar para quem comenta, com...