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Postagens

Bora trabalhar? #questionamentos

Desde janeiro de 2025, o prefeito de Ribeirão Preto, Ricardo Silva, eleito pelo PSD, está à frente da administração municipal; mas seu comportamento em público tem chamado atenção por um padrão que mais parece continuidade de campanha eleitoral do que gestão propriamente dita. Em vez de focar em apresentar cronogramas, metas claras ou relatórios de execução de governo, o prefeito tem repetido com frequência discursos repletos de promessas genéricas, reforçando um discurso de promessa permanente em cada entrevista e evento que concede. Essa postura motivou críticas de moradores e observadores políticos, que reclamam da falta de objetividade em compromissos assumidos. Um dos exemplos recentes ocorreu na UBDS da Vila Virgínia , onde o prefeito visitou a unidade e demonstrou surpresa com o estado precário de conservação do prédio (uma realidade que já existia há anos, inclusive antes de sua gestão). No local, ele gravou um vídeo prometendo aos pacientes a construção de uma nova unidade de ...
Postagens recentes

A teoria das janelas quebradas - #considerações

É um conceito da criminologia urbana formulado na década de 1980 por James Q. Wilson e George Kelling. A teoria parte da ideia de que pequenos sinais de desordem em um ambiente urbano, quando ignorados, transmitem a mensagem de abandono e ausência de controle, estimulando comportamentos que desrespeitam normas sociais. Uma janela quebrada que não é consertada, por exemplo, simboliza que aquele espaço não é cuidado, abrindo caminho para a deterioração progressiva da ordem social. As causas desse fenômeno estão relacionadas principalmente à negligência do poder público, à falta de manutenção dos espaços urbanos e à fragilização do vínculo entre a população e o ambiente em que vive. Pichações, lixo acumulado, iluminação precária e vandalismo são sinais visíveis que reduzem a sensação de pertencimento coletivo e enfraquecem o controle social informal. Quando essas pequenas infrações se tornam comuns, cria-se um ambiente propício à repetição e ao agravamento das condutas inadequadas. Os pro...

Rodízio? Não seja burro! #esclarecimentos

A recorrente defesa da implantação de um rodízio de veículos em Ribeirão Preto sempre citada por ribeirãopretanos que desconhecem o tema surge, quase sempre, como resposta imediata aos congestionamentos cada vez mais frequentes. A lógica parece simples: menos carros circulando, menos trânsito. No entanto, essa solução aparente ignora a complexidade da mobilidade urbana e tende a atacar apenas os sintomas, não as causas do problema. "Por favor, não seja burro!" Experiências em outras cidades mostram que o rodízio raramente reduz o número total de veículos a médio e longo prazo. Muitos motoristas passam a adquirir um segundo carro, geralmente mais antigo e poluente, apenas para contornar a restrição. Outros ajustam horários ou rotas, concentrando ainda mais o tráfego em determinados períodos. O resultado é a manutenção dos congestionamentos, acompanhada de novos problemas, como aumento da frota, maior desigualdade social (já que a medida penaliza quem não pode comprar outro veí...

A cidade fora da bolha digital - #Questionamentos

E m Ribeirão Preto, a gestão municipal parece ter confundido governo com palco e política pública com algoritmo. A cidade é administrada cada vez mais a partir das redes sociais, onde a prioridade não é resolver problemas reais, mas agradar um eleitorado fiel, barulhento e sempre pronto a reagir com curtidas e aplausos virtuais. Fora dessa bolha digital, porém, está a maior parte da população (aquela que enfrenta diariamente trânsito caótico, transporte coletivo precário e um crescimento urbano sem planejamento). Enquanto vídeos bem editados e discursos otimistas dominam os perfis oficiais, projetos estruturantes seguem engavetados. Leis essenciais para a mobilidade urbana, o ordenamento do território e o planejamento de longo prazo simplesmente não rendem o mesmo engajamento que postagens calculadas para agradar seguidores. E, assim, são ignoradas. Obras ficam pelo caminho, estudos técnicos não avançam e a cidade paga a conta da omissão. A gestão parece governar para quem comenta, com...

Os monstros da má gestão pública #questionamentos

Quando chega o Halloween, pensamos em monstros, fantasmas e bruxas. Mas há assombrações muito mais reais rondando os corredores da administração pública. São problemas que, ano após ano, voltam a aterrorizar os cofres, os serviços e a confiança da população. Vamos acender as lanternas e encarar de frente esses cinco monstros da má gestão. 1. O Fantasma da Burocracia Ele surge em cada papel carimbado, em cada assinatura que nunca chega. Alimenta-se de processos lentos e labirintos administrativos, fazendo o cidadão sentir-se preso em um castelo de portas que não se abrem. 2. O Zumbi do Nepotismo Nunca morre de vez. Mesmo quando se acha que foi banido, ele volta, arrastando seus passos pesados pelas nomeações e cargos de confiança. Vive de privilégios, sugando o mérito e a competência de quem realmente quer servir. 3. A Bruxa da Falta de Planejamento Com sua bola de cristal embaçada, lança feitiços de improviso e decisões apressadas. Em vez de projetos estruturados, espalha obras paradas...

Infantilidade no trânsito #questionamentos

Quem circula por Ribeirão Preto já percebeu: o trânsito da cidade é caótico não apenas pela infraestrutura, mas pelo comportamento de muitos motoristas. A sensação é de que dirigir aqui virou uma brincadeira irresponsável, em que vale tudo para ganhar alguns segundos — mesmo que isso coloque a vida dos outros em risco. Avançar sinal vermelho, parar em fila dupla, estacionar sobre a calçada, não respeitar a faixa de pedestres, usar o celular ao volante… infrações como essas são flagradas diariamente. E, em vez de reconhecerem o erro, os condutores arrumam desculpas prontas: “a culpa é da prefeitura que não colocou semáforo”, “se a sinalização fosse melhor, eu não teria feito”, “os radares estão aí só para arrecadar”. Sempre existe um culpado externo, menos o verdadeiro responsável: o próprio condutor. Esse comportamento infantil revela uma incapacidade de assumir responsabilidades. É como se muitos condutores ainda estivessem na adolescência, sempre encontrando justificativas para não e...

O falso paraíso da zona sul #questionamentos

Nos últimos anos, a zona sul de Ribeirão Preto , especialmente a região de Bonfim Paulista , tem se consolidado como polo de novos empreendimentos imobiliários. O número de condomínios fechados e edifícios residenciais cresce de forma acelerada, geralmente vendidos sob a promessa de “melhoria na qualidade de vida ”, com segurança, áreas verdes e lazer. No entanto, por trás desse discurso, surgem desafios que impactam não apenas os moradores desses empreendimentos, mas toda a cidade. O primeiro problema é a pressão sobre a infraestrutura urbana . O adensamento populacional em áreas até pouco tempo menos ocupadas aumenta o tráfego de veículos, sobrecarrega vias já saturadas e cria gargalos de mobilidade. Além disso, cresce a demanda por água, energia e serviços públicos, sem que haja, muitas vezes, planejamento adequado para atender essa nova realidade. Outro ponto crítico é o impacto ambiental . A expansão de condomínios em áreas de transição rural-urbana reduz espaços naturais, amea...

A mediocridade na política #questionamentos

A mediocridade na política, especialmente nas administrações municipais , tem se tornado um entrave crônico ao desenvolvimento das cidades brasileiras. Quando a gestão pública se contenta com o básico, com o "funcionando mais ou menos", ou se limita a resolver apenas problemas imediatos, abre-se espaço para um ciclo de estagnação que impede o avanço real da qualidade de vida da população. Os sinais dessa mediocridade são evidentes: prefeitos e secretários sem preparo técnico, cargos ocupados por critérios políticos em vez de competência, prioridades distorcidas, ausência de planejamento de longo prazo e uma administração reativa, que vive “apagando incêndios”. Obras eleitoreiras substituem políticas públicas estruturantes. A inovação é tratada como luxo, e a participação popular, como ameaça. Um dos principais problemas dessa gestão limitada é a ineficiência na aplicação dos recursos públicos. Falta visão estratégica para áreas fundamentais como mobilidade urbana , habitaç...

O perigo dos bajuladores na política #questionamentos

Na cena política, não é raro encontrar os chamados bajuladores  - indivíduos que elogiam, defendem e apoiam políticos de forma exagerada, muitas vezes ignorando falhas, críticas legítimas ou decisões questionáveis. Diferentemente do apoio crítico e consciente, a bajulação se baseia na conveniência, em busca de benefícios pessoais, cargos ou proximidade com o poder. Esses bajuladores tornam-se escudos humanos contra o debate democrático, criando uma bolha em torno do político. Alimentam um ambiente onde o contraditório é visto como ataque, e a adulação, como lealdade. Isso sufoca o diálogo público e enfraquece a transparência, pois o gestor deixa de ser confrontado com diferentes visões e passa a ouvir apenas o que deseja. A longo prazo, essa prática é prejudicial à própria democracia. Políticos cercados por bajuladores tendem a se afastar da realidade da população, acreditando em uma popularidade artificial e tomando decisões desconectadas das reais necessidades da sociedade. Além...

Como você ousa me questionar? #Questionamentos

Em plena era digital, as redes sociais se tornaram espaços essenciais para o debate público e a fiscalização do poder. No entanto, tem se tornado cada vez mais comum políticos bloquearem usuários que fazem críticas em suas publicações. Essa prática levanta sérias questões sobre liberdade de expressão e uso da máquina pública para controlar o discurso. Embora redes sociais sejam plataformas privadas, perfis de figuras públicas que exercem mandatos eletivos - e especialmente aqueles usados para divulgar ações oficiais ou interagir com a população - assumem caráter institucional. O bloqueio de cidadãos nesses canais pode ser interpretado como censura, uma vez que impede o acesso a informações de interesse público e a possibilidade de participação no debate político. Nos Estados Unidos, por exemplo, o ex-presidente Donald Trump foi alvo de processos por bloquear críticos no Twitter enquanto estava no cargo. A Justiça entendeu que ele violava a Primeira Emenda da Constituição ao impedir o ...