A recorrente defesa da implantação de um rodízio de veículos em Ribeirão Preto sempre citada por ribeirãopretanos que desconhecem o tema surge, quase sempre, como resposta imediata aos congestionamentos cada vez mais frequentes. A lógica parece simples: menos carros circulando, menos trânsito. No entanto, essa solução aparente ignora a complexidade da mobilidade urbana e tende a atacar apenas os sintomas, não as causas do problema.
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| "Por favor, não seja burro!" |
Experiências em outras cidades mostram que o rodízio raramente reduz o número total de veículos a médio e longo prazo. Muitos motoristas passam a adquirir um segundo carro, geralmente mais antigo e poluente, apenas para contornar a restrição. Outros ajustam horários ou rotas, concentrando ainda mais o tráfego em determinados períodos. O resultado é a manutenção dos congestionamentos, acompanhada de novos problemas, como aumento da frota, maior desigualdade social (já que a medida penaliza quem não pode comprar outro veículo) e impactos ambientais adicionais. Sem falar no custo alto relacionado a fiscalização, seja com agentes de trânsito quanto equipamentos como câmeras leitoras de placas.
O cerne da questão não está em proibir o uso do carro, mas em oferecer alternativas reais e eficientes. O que de fato reduz congestionamentos é um sistema de transporte coletivo confiável, rápido e confortável, aliado a investimentos consistentes em corredores exclusivos de ônibus, integração tarifária e horários previsíveis. Soma-se a isso a necessidade de planejamento urbano que aproxime moradia, trabalho e serviços, reduzindo deslocamentos longos e obrigatórios.
Além disso, incentivar a mobilidade ativa, com calçadas adequadas e ciclovias conectadas, e gerir melhor o uso do solo urbano são medidas mais eficazes e duradouras. Sem essas bases, o rodízio se torna apenas um paliativo: cria a sensação de ação, mas falha em resolver o problema estrutural do trânsito e da dependência excessiva do automóvel.

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